"Juros que seguem elevados, crédito restrito e maior cautela do sistema financeiro, em um contexto de fechamento de ano e aumento da incerteza, fez com que empresas chegassem a um limite financeiro. O resultado foi um recorde de entradas em recuperação judicial e um ambiente ainda mais desafiador para a obtenção de fôlego financeiro."
O termômetro da crise
O 4º trimestre de 2025 consolidou um ambiente de estresse financeiro prolongado para as empresas brasileiras. Diferentemente de períodos anteriores, o trimestre foi menos marcado por novos choques e mais pelo esgotamento das alternativas de curto prazo, em um momento crítico de fechamento de ano.
Com a Selic mantida em 15% ao ano, o custo da dívida e do capital de giro seguiu sob pressão constante. Esse efeito foi amplificado por fatores sazonais típicos do quarto trimestre — pagamentos concentrados, ajuste de estoques e renegociações de passivos de curto prazo — ocorrendo em um ambiente de crédito ainda seletivo e defensivo.
O sistema financeiro manteve postura conservadora ao longo do trimestre. A proximidade do ciclo eleitoral de 2026 adicionou uma camada de incerteza, levando bancos a priorizarem operações com garantias reais e a reduzirem exposição em novos créditos. Esse cenário limitou o acesso a financiamento tanto para empresas fora de processos judiciais quanto para companhias já em recuperação judicial, ampliando a dificuldade de obtenção de "dinheiro novo" a taxas competitivas.
No ambiente externo, a volatilidade cambial seguiu pressionando empresas com exposição a insumos importados e dívidas em moeda estrangeira. A demanda internacional permaneceu instável, especialmente no mercado chinês, enquanto os impactos de medidas comerciais adotadas ao longo do ano continuaram comprimindo margens e restringindo a geração de caixa.
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar o recorde de novas entradas em recuperação judicial no trimestre, evidenciando que muitas empresas que conseguiram postergar decisões ao longo do ano chegaram, no fim de 2025, a um limite financeiro.
O aumento do estoque de companhias em RJ reflete o impacto acumulado de um ciclo prolongado de custo financeiro elevado, margens comprimidas e dificuldade de alongamento de passivos. Pequenas e médias empresas seguem mais expostas, mas o cenário também afeta grupos de maior porte, especialmente aqueles com estruturas de capital mais alavancadas e operações intensivas em capital. A recuperação judicial do Grupo Unigel ilustra esse movimento — empresas de grande porte, com estrutura financeira complexa e exposição ao mercado internacional, também foram pressionadas em um ambiente prolongado de restrição de crédito.
Como este cenário vem impactando as empresas
A manutenção da Selic em patamar elevado segue pressionando o caixa, limitando investimentos, reduzindo fôlego operacional e dificultando renegociações de curto prazo.
O fechamento do ano, aliado à proximidade do ciclo eleitoral, intensificou a postura defensiva de bancos e investidores, com maior exigência de garantias, spreads elevados e prazos mais curtos.
A volatilidade do dólar manteve pressão sobre empresas dependentes de importações e aumentou o custo do serviço da dívida em moeda estrangeira.
Empresas já em recuperação judicial enfrentaram dificuldades adicionais para cumprir planos desenhados sob premissas macroeconômicas que não se confirmaram, exigindo revisões e ajustes.
Como as empresas devem atuar neste cenário
Diante de um ambiente prolongado de restrição, a antecipação e a disciplina na execução tornam-se fatores decisivos. A experiência da RGF & Associados em reestruturação empresarial mostra que empresas que agem antes do ponto de ruptura — antes de precisar recorrer à recuperação judicial — têm resultados significativamente melhores.
Monitoramento rigoroso do caixa, com cenários conservadores e planos de contingência bem definidos.
Foco em alongamentos sustentáveis e reavaliação das estruturas de endividamento, considerando o custo financeiro elevado.
Acompanhamento contínuo da execução e agilidade para ajustar premissas e estratégias, especialmente em recuperações judiciais já em andamento.
Revisão de custos, processos e estruturas operacionais para preservação de margens e geração de caixa.
Atenção redobrada a exposições cambiais, contratos de fornecimento e dependência concentrada de clientes, fornecedores ou fontes de financiamento.
Existe saída antes da Recuperação Judicial. A reestruturação extrajudicial — quando conduzida com disciplina, dados e experiência de implementação — pode evitar os custos, a complexidade e o estigma do processo judicial. A RGF & Associados atua exatamente nesse espaço: com dezenas de reestruturações de sucesso e bilhões de reais em valor gerado, a consultoria não entrega slides — implementa.